Estudo para reativar cabines da PM na Linha Vermelha, anunciado em janeiro, não avançou

 

Desde que assumiu o comando, na primeira semana de janeiro, o secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo, incluiu as vias expressas no topo de sua lista de prioridades. Além de determinar o reforço do patrulhamento com homens dos batalhões de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom) e do Choque, ele anunciou o projeto Percurso Seguro, que incluía um estudo para reativar cabines em pontos estratégicos. O mapeamento, no entanto, até hoje não avançou e as bases seguem abandonadas na maior parte do tempo.

Nos últimos três meses, o jornal Extra percorreu a Linha Vermelha diversas vezes e esbarrou com cabines vazias e até alvejadas. Na terça-feira, cinco viaturas circulavam entre o Caju e o acesso para a Via Dutra, mas o panorama é bem diferente durante os fins de semana. No dia 24 março, por volta das 13 horas, repórteres não viram qualquer equipe da PM ao longo dos 21,9 quilômetros da via. Ontem, em torno das 14 horas, repórteres encontraram apenas uma patrulha da PM.

Só no primeiro trimestre deste ano, 30 veículos foram roubados na via. O índice aponta pequena redução diante dos 42 casos registrados no mesmo período de 2018. Roubos de carga também apresentaram ligeira queda: de dez casos no início de 2018 para sete nos três primeiros meses deste ano. No mês passado, a PM realizou 858 abordagens no local e prendeu 27 pessoas. Em abril, até a última quarta-feira, outras dez foram detidas.

No fim do ano passado, o veículo mostrou que a PM recebe de 35 a 40 chamados mensalmente. As ocorrências acontecem, principalmente, entre a noite de sexta-feira e o início da manhã de segunda, nos trechos perto de favelas.

Ex-motorista de uma transportadora, Danilo Bragança foi assaltado duas vezes na via num intervalo de um mês. Nos dois casos, entre julho e agosto do ano passado, foi abordado por motociclistas. Meses antes, a operadora de telemarketing Cátia Regina dos Santos presenciou um arrastão na altura de São Cristóvão. No ônibus, ela seguia em direção à Ilha do Governador às 20h30m.

— O trânsito parou de repente, e vi toda a ação dos bandidos em duas motocicletas.

O porta-voz da PM, coronel Mauro Fliess, alegou que, pela proximidade das favelas, a Linha Vermelha exige um esforço maior da corporação. Para a PM, outro obstáculo é o vandalismo contra as placas de proteção acústica instaladas no entorno dos complexos do Caju e Maré. Quebradas, facilitam o acesso de ambulantes e criminosos na via. Em janeiro, um vídeo mostrou um assaltante passando por uma abertura entre as placas próximo à Maré. Ele rendeu um taxista e fugiu pelo mesmo buraco.

Fonte: Extra