Rombo nas contas do RJ em 2018 foi maior que o imaginado: quase R$ 22 bilhões

A diferença no cálculo está nos “fundos invertidos”, espécie de conta pública de onde o governador pode retirar para fazer pagamentos, desde que os reponha. Mas balancetes publicados em Diário Oficial não indicam tais depósitos.

Especialista em finanças públicas, Paulo Henrique Feijó recorre ao orçamento familiar para explicar os fundos.
- É como se o pai pegasse a verba destinada para os filhos e não devolvesse - diz.
O orçamento de 2018 aprovado pela Alerj no fim de 2017 previa um déficit de R$ 9,2 bilhões – o ano fechou com mais que o dobro disso.
Há dois meses, em resposta ao rombo de R$ 17 bilhões, a Secretaria Estadual de Fazenda afirmara esperar fechar 2018 com um déficit para R$ 7 bilhões, pois receberia royalties de petróleo. Tais créditos também não constam do balancete.
Calamidade financeira
Uma de últimas medidas de Dornelles, que exercia o governo desde a prisão de Pezão, foi prorrogar a calamidade financeira do RJ até o fim de 2019. O decreto veio na mesma edição do Diário Oficial que trouxe o orçamento deste ano – aprovado pela Alerj.
Segundo os números, a receita líquida do RJ será de R$ 72.371.273.586 em 2019. A despesa total está orçada em R$ 80.373.868.770. Isso indica um rombo de cerca de R$ 8 bilhões nas contas públicas - que terá que ser coberto de alguma maneira pelo poder público estadual.